11º Domingo do Tempo Comum – “Eleição e Missão”

pe-geraldoA luz das leituras temos a apresentação da comunidade cristã naquilo que ela tem de mais característico aos olhos de Deus: Eleição e Missão

Breve resumo: na 1ª leitura o tema central é da eleição. Deus escolhe um povo e estabelece um relacionamento especial com Ele, fazendo com Ele aliança.

A 2ª leitura nos revela a razão desta eleição: o amor gratuito de Deus que nos reconciliou consigo “quando éramos ainda pecadores”  mediante a morte  de Jesus Cristo.

Por fim, o Evangelho nos apresenta qual a finalidade da escolha e eleição de um povo: A Missão através  da missão a comunidade se torna instrumento e meio de eleição para todos  os povos: tendo recebido gratuitamente, gratuitamente dá, ou melhor, se dá.

A Eleição: Deus havia escolhido seu povo quando ainda estava no Egito, (terra da escravidão) e o conduz para a terra da liberdade. Essa grande experiência chamamos de Êxodo, que culmina com a aliança no Monte Sinai. O ponto de partida é o Egito ( início do cuidado de Deus para com seu povo) com uma meta bem definida: caminhar em direção a liberdade para se tornar um povo livre. Por isso, o primeiro momento da historia da salvação pode ser caracterizado pela palavra “liberdade” , como condição fundamental para ser povo de Deus. Da parte do povo será preciso uma escolha. Daqui brota duas responsabilidades do povo de Deus: obedecer a voz de Deus e guardar aliança ( v.5). Para dizer da escolha (eleição) e do carinho com que Deus conduz seu povo, o texto fala do cuidado da águia com seus filhotes, assim Deus “carrega seu povo” .

A 2ª leitura fala que a escolha de Deus não é feita baseada no mérito, mas por amor. Como Deus escolheu o povo de Israel, assim também fomos escolhidos em Cristo, não por sermos melhores, mais justos ou honestos, somente por amor ( cf. v8). Portanto, não é motivo de orgulho pertencer a Igreja, mas responsabilidade e gratidão.

A Missão: o Evangelho deixa claro que a escolha ( eleição) tem uma finalidade bem precisa: a Missão. Também revela três condições para responder esse chamado:

● ter consciência que a messe é grande e os operários são poucos (vers. 37-38);

● ter misericórdia: quem é enviado dever ter também um coração aberto e compreensivo. O envio começa com uma declaração. A compaixão de Jesus (v.36). Compaixão vem do latim, Cum parti, sofrer com, sentir com. Na verdade só consegue ajudar alguém aquele que quando participa da necessidade, da dor, do sofrimento do outro. Nem ter necessidade é vergonhoso nem ter compaixão diminui a pessoa. Jesus é nosso grande exemplo: assumiu nossa natureza, sofreu as nossas dores, chorou nossas lágrimas por compaixão. Portanto, ninguém exercerá seu apostolado sem ser misericordioso (a). A misericórdia é condição essencial para o apostolado. Podemos dizer que o chamado brotou no coração de Jesus no calor da compaixão e a resposta de seus seguidores também deve brotar do mesmo calor.  Afinal, sem compaixão, a resposta ao chamado se esvazia, o serviço se burocratiza, o seguimento vira lei…

● ter gratuidade: o Evangelho termina com o apelo para “dar de graça”. Quem não tem um coração cheio de gratuidade não tem nenhuma condição para ser enviado. A gratuidade, ao lado do desapego, é uma das coisas mais difíceis ao ser humano, que luta a vida inteira para ser auto-suficiente, independente e ser reconhecido.