2º Domingo da Páscoa

pe-geraldo“Manifestou-se assim” (Álvaro Barreiro – Ed. Loyola)

Motivação Inicial: as aparições de Jesus Ressuscitado é um cumprimento das promessas  feita aos discípulos antes de sua morte: “Eu virei a vós” (Jo 14,18); “Vou e retornarei a vós” (Jo 14,28);

 

Jesus revela-se a todos respeitando a história, o temperamento e a situação de cada um: à Madalena, discípulos de Emaús, Jesus é mais racional – teológico; aos discípulos à beira do mar, Jesus se revela com conversa de pescador; hoje Jesus se revela aos onze que são mais dóceis e a Tomé mais resistente…

Hoje se apresenta como consolador que afasta o medo que penaliza e concede os dons da alegria e da paz. Hoje, qual o nosso estado de ânimo? Como estamos?

Detalhes do Texto do encontro de Jesus com os discípulos:

Jesus vai ao encontro dos discípulos quando estão tristes, escondidos, com portas fechadas por medo, no “primeiro da semana, ao fim da tarde” , ou seja na tarde de “Domingo”. Neste dia Jesus concedeu seus preciosos dons:

a paz: “deixo-vos a paz, a minha paz vos dou”  (v.27). As palavras de Jesus produz o efeito desejado, portanto, trouxe serenidade aos discípulos;

a alegria: “…mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram” “ o Ressuscitado é o mesmo que foi crucificado!”, ou seja, são as mesmas mãos que curaram os enfermos, que alimentaram os famintos, que abençoaram as crianças… dessa certeza brota a alegria;

Espírito Santo : neste dia também Jesus concedeu o dom do Espírito Santo soprando sobre eles (v.22), para que fossem portadores do seu perdão.

Esses grandes dons – paz e alegria – animam e fortalecem os primeiros cristãos no meio das dificuldades e perseguições. Também a nós, vinte séculos depois, precisamos desses dons para sermos fiéis à nossa vocação e missão. Afinal, um cristianismo triste, rígido e tenso não convencerá ninguém. Portadores dos dons da Paz e alegria somos enviados em missão para percorrer os mesmos caminhos de Jesus agindo, servindo, perdoando e amando como Ele amou…

“O encontro de Jesus com Tomé”

As dificuldades de crer na ressurreição de Jesus são as mesmas em todos os tempos. Por isso, olhando para o encontro de Jesus com Tomé, peçamos a graça de crer na Ressurreição de Jesus, acolhendo o testemunho dos que o viram e creram nele. Particularmente, peçamos que Jesus venha ao nosso encontro quando nos isolamos, nos afastamos da comunidade e nos fechamos na nossa auto-suficiência ou no nosso racionalismo…

Detalhes do Texto

importância da comunidade e de permanecer nela: o texto começa dizendo que “Tomé, um dos doze, não estava com eles quando Jesus veio” (v.24). Isso revela a importância de permanecer na comunidade (não estava, não viu, não experimentou…)

convite para crer nas testemunhas da ressurreição: quando Tomé retorna eles contam com alegria: “vimos o Senhor”. Mas Tomé se fecha e exige provas…, pensemos na importância da comunidade: afinal, o individualismo, o isolamento e a auto-suficiência não só causam a ruptura da comunhão com os membros da comunidade, mas também à ruptura da comunhão com Deus e esvaziamento da vida de fé,

a pedagogia de Jesus:  Jesus aparece mais uma vez e dá o dom da paz e dirige-se pessoalmente a Tomé. Jesus esperou uma semana para curar a incredulidade de Tomé. Com amor e misericórdia Jesus aceita as condições imposta por Tomé: colocar as mãos e o dedo em suas feridas…(“por suas feridas fomos curados!”) Jesus ressuscitado, que conhece o que há de secreto no coração de cada um, continua sendo paciente e compreensivo com os discípulos, e assim fará sair do coração fechado, duro e incrédulo de Tomé, na forma de oração e adoração, a mais bela profissão de fé: “Meu Senhor e meu Deus!”

Diante de Jesus, o mesmo Tomé, que antes se manifestou auto-suficiente, fechado em si mesmo e incrédulo, proclama o Jesus que está em pé, vivo, diante dele, como seu “Senhor e Deus”. Tomé foi movido a fazer essa profissão de fé absoluta e incondicional, não pelas provas materiais que ele tinha exigido, mas pelas palavras e pela atitude de Jesus ressuscitado.

Comentando este episódio, Santo Agostinho, afirma: “Via e tocava o homem e confessava a Deus, a quem não via e não tocava; mas, tirada já a dúvida, pelo que via e tocava, acreditava no que não via”.

Conclusão: O que Jesus fez com Tomé pode fazê-lo conosco: curar-nos de nossa falta de fé e mover-nos a proclamar diante de outros discípulos: “Meu Senhor e Meu Deus”.

Jesus também faz a proclamação de uma nova bem-aventurança:“felizes os que não viram, e, no entanto, creram”. E Pedro, anos mais tarde dirá: “sem ter visto o Senhor, vós o amais. Sem o ver ainda, nele acreditais. Isso será para vós fonte de alegria invisível e gloriosa, pois obtereis aquilo em que acreditais: a vossa salvação” (I Pd 1,8-9).

Pe. Geradinho