4º Domingo do Tempo Comum

pe-geraldoA leitura de hoje oferece-nos oportunidade de pensar em algo tão almejado por todo ser humano: a felicidade. Todos queremos e procuramos a felicidade! Onde encontrá-la?

Constatação:  muitos a buscam na riqueza, no status, no poder; outros nos prazeres como drogas, álcool, vida desregrada… Sabemos que esses caminhos produz uma alegria fugaz e o resultado é a decepção e muitas vezes o sofrimento.

A Palavra de Deus:  a Palavra de Deus apresenta algumas pistas para encontrá-la.

§ Assumir um estilo de vida, tendo como valores a pobreza e humildade, ensina o profeta Sofonias. Pobre aqui não é uma categoria sociológica, mas uma atitude espiritual de quem tem o coração aberto às propostas de Deus e é justo nas relações com os outros; confia em Deus, obedece seus mandamentos é justo e solidário com os irmãos.

No Evangelho, Jesus ratifica e amplia a profecia de Sofonias, apresentando a felicidade em diferentes situações da vida.

Um Detalhe , sobre o Monte:  Mateus diz que Jesus subiu no monte…Monte lembra o Sinai, onde Moisés recebe as tábuas da lei.

Na Sagrada Escritura os montes são importantes: Moriá, Sinai, Horeb, Sião, Tabor , Calvário, Oliveira. Hoje, surpreendentemente, Jesus sobe ao monte, porém sem nome ( pequena colina de vista para o mar da Galiléia). Assim a liturgia nos convida: “Vinde subamos ao monte com o Senhor…”

Lá Jesus proclama solenemente a “Carta Magna do Reino”, sua constituição fundamental. Diferentemente do Sinai, onde entre trovões e raios foram entregues os dez mandamentos, aqui Jesus, de modo cordial apresenta, não proibições, mas indicações, ideais de vida; não as inscreve em pedras, mas proclama aos ouvidos para que cheguem aos corações. Quase no contracenso comum, Jesus diz quem é realmente “feliz”. Seu programa é para uma vida feliz, prazerosa, bem – aventurada.

Realidade ou Utopia:  A proclamação de Jesus soa, à primeira vista, como “idealista”, “utópica”, não possíveis de serem praticadas no mundo que vivemos. No entanto, pela sua provocação e questionamento, elas são as propostas mais realistas mais revolucionárias, nunca pronunciadas antes.

As bem-aventuranças são a exposição mais exigente e, ao mesmo tempo, mais fascinante da mensagem e da intenção de Jesus. Elas são a plenificação do que há de mais humano em nós. Poderíamos dizer que são a “quinta essência” do seguimento de Jesus.

Reação: Diante delas percebemos uma resistência surda, não porque nosso coração não se reconhece nelas, mas porque parecem tão impossíveis, tão distantes delas; afinal vivemos mergulhados em tantas contradições, profundos dramas e violências que nos parecem desmenti-las.

Incomoda-nos e inquieta-nos na mensagem de humildade, de mansidão, de paz, de pureza, de misericórdia… quando, na realidade estamos envolvidos em construir, em fomentar um mundo que é arrogante, agressivo, violento, intolerante, excludente, injusto…

Temos resistência em escutá-los porque nos colocam de novo frente à verdade para a qual nascemos, diante do mais original de nosso coração.

Ética:  A ética de Jesus nas bem- aventuranças nos coloca precisamente no caminho da virtudes que nos tornam plenamente humanos.

As bem- aventuranças nos esperam no pequeno, no cotidiano, no próximo mais próximo e nos impulsionam a proclamas: a paz é possível, a alegria é uma realidade, a justiça não é um luxo, a mansidão está ao alcance das mãos. Elas nos dizem que nascemos para a bondade, a beleza, a compaixão, a misericórdia, o amor, o perdão…

Origem das Bem-Aventuranças:  A felicidade proclamada por Jesus é uma realidade já presente na sua pessoa e missão. Todas e cada uma das bem-aventuranças são autobiográficas. Jesus viveu-as durante 30 anos antes de proclamá-las. Elas são expressão do que constitui o centro de sua pessoa e sua vida, dos seus sentimentos e atitudes. Elas são seu auto-retrato; não são doutrinas, mas uma proposta de vida, um estilo de vida.

Que um dia, assumindo em plenitude as bem-aventuranças, possamos dizer como Paulo: “já não sou que vivo, mas é Cristo bem-aventurado que vive em mim”. Amém

 

Pe Geraldinho