Conquistando O Amor

pe-geraldoMotivação: O que diz o texto para você hoje? Os protagonistas do Evangelho são duas pessoas diferentes e com atitudes opostas: Zaqueu e Jesus o Santo e o pecador! Porém, procuram-se mutuamente. Ao redor deles uma multidão que parece desordenada e crítica, que até se torna obstáculo: de um lado, impede Zaqueu de ver Jesus (blindam Jesus); e, de outro, murmuram contra Jesus.

É um convite para ler o episódio de Zaqueu na perspectiva do “ver – não ver”. Temos um homem que procura ver, mas não consegue ver Jesus. Quem é Ele?: É um publicano: pecador, desonesto, ladrão, corrupto… Aliás, ele é o chefe dos publicano e, por ironia, seu nome é Zaqueu, que significa “puro!” Era rico (”muito rico”): tem tudo, mas ainda está insatisfeito, solitário, triste, marginalizado… mas ainda está com fome e sente-se excluído do banquete do Reino de Deus. Era “baixo”: não só em estatura, era pequeno, sem importância… apesar disso, Zaqueu quer ver Jesus. Subiu numa árvore: sua necessidade era tão grande que não se importou em se expor ao ridículo. Porque? Porque quer “ver” aquele que tem condições de compreender seu drama interior. Os dois olhares: aqui podemos perceber dois olhares distintos: de Deus e dos homens. Como as pessoas vêm Zaqueu? Só consegue ver o publicano, o chefe, o pecador, o rejeitam, o isolam, o desprezam. A visão da multidão está tão distorcida que até onde só há bem – Jesus – só enxergam o negativo, o errado e dizem: “foi hospedar-se na casa de um pecador” (v.7). Já o olhar de Jesus é puro, é misericordioso e enxerga além! Jesus olha para Zaqueu e reconhece nele um “filho de Abrão” (da promessa). E o chama pelo nome “Zaqueu” e não pelo que foi rotulado. Questionamento: E o nosso olhar também é de pureza, misericórdia e cheio de amor para com os Zaqueus de nosso tempo? Afinal, podemos qualificar e identificar as pessoas pelos seus pecados: “ o bezerro”, a “prostituta”, o “o drogado”, o “mendigo”… Eles porem não são a “a embriaguez”, a “prostituição”, a “droga”… Eles tem nome: André, Marta, Ricardo… São pessoas e como tais devem ser consideradas. Também para o olhar de Jesus não há “caso sem remédio”, “pessoas incuráveis”… e para nós? Processo (passos) para um encontro: O Evangelho também revela os passos para um verdadeiro encontro com Jesus Cristo:

- Tomar Iniciativa: Zaqueu é uma das poucas pessoas (nos quatros evangelho) que toma a iniciativa de encontrar-se com o Mestre gratuitamente: nada tem a dizer e nada tem a pedir. Só quer “ver” “sair de si”.

- Para isso Zaqueu é obrigado a “sair de si”, deixar o seu lugar”… é forçado a se deslocar.

- Correu a diante: tantas vezes ficamos esperando e não corremos nem atrás e ele correu à frente!

- Superou um obstáculo: como não podia ver, descobriu a solução: subir na “árvore”. E nós ficamos muitas vezes impotentes diante de certos obstáculos… Suas atitudes provocou a “hora” de Deus em sua vida e, por isso ouve de Jesus: “Porque hoje preciso ficar em sua casa.” A grande graça:

I. Ser visto por Jesus e ouvir dele: “desce depressa…” (v. 5). Não é uma visita passageira, é o amigo que deseja permanecer em sua casa e, por isso, não impõe condições, não exige justificação… Olham-se e se entendem! O olhar profundo de Jesus, seu amor exagerado, seu convite inesperado, sua voz penetrante, transforma de imediato a vida daquele pequeno homem. E tudo mudou.

II. Receber Jesus em “casa”: o verdadeiro encontro de Jesus com Zaqueu se dá em casa entre as paredes da vida cotidiana, numa refeição. O Senhor, como dom gratuito e inesperado, entra na casa e no coração de Zaqueu… Daí brota a conversão, a confissão e compromisso de vida nova de Zaqueu. Da parte de Jesus não precisou de conselhos, repreensões, apenas uma conversa amigável… Jesus não pede nada a Zaqueu… Contudo, o vinho novo de Jesus arrebenta os odres velhos de Zaqueu e, assim, o chefe dos publicanos se torna transbordante, apaixonado, e passa da solidão a partilha, da tristeza à alegria (v.8). Zaqueu foi amado “excessivamente” e decide corresponder com a mesma moeda, sem medida. Ele viu por um instante, a sua vida na nova visão: “Senhor, vou dar metade dos meus bens…” E o divino Hóspede selou aquele acontecimento e o gesto de Zaqueu um dom bem maior: a Salvação: “Hoje a salvação…” O Encontro com Jesus significou para Zaqueu abrir-se aos pobres, partilhando seus bens com eles. Tal encontro faz Zaqueu alargar seu espaço interior para se encontrar com os outros; ou melhor, amplia seu coração para deixar os outros entrarem em sua vida. Um encontro que desencadeia outros encontros. Não bastou descer da árvore: “não Zaqueu! Desce mais! Até o fundo de ti mesmo”. Agora sim não só sua casa tem um novo hóspede, mas sua morada interior está habitada por Jesus.

Pe. Geraldinho